Quindim: a receita tradicional de gemas, açúcar e coco
Publicado em 8 de outubro de 2026
Quindim é um doce de gemas, açúcar, coco ralado e manteiga, assado em forminhas em banho-maria até ficar firme, brilhante e amarelo, com uma base de coco. Vem dos doces de convento portugueses, refeitos no Brasil colonial com coco no lugar da amêndoa. A receita abaixo usa 12 gemas e rende 12 quindins.
Quindim tradicional
Ingredientes
- 12 gemas
- 1 e 1/2 xícara (chá) de açúcar (cerca de 270 g)
- 1 xícara (chá) de coco ralado fresco (cerca de 80 g)
- 2 colheres (sopa) de manteiga derretida
- 1/2 xícara (chá) de leite de coco (opcional)
- Manteiga e açúcar para untar as forminhas
Modo de preparo
- Unte 12 forminhas de quindim (ou de empada) com manteiga e polvilhe com açúcar. Preaqueça o forno a 180 °C.
- Passe as gemas por uma peneira fina para tirar as películas.
- Em uma tigela, misture as gemas e o açúcar com um batedor de mão, sem bater, até o açúcar dissolver. Junte a manteiga derretida, o leite de coco (se usar) e o coco ralado.
- Deixe a massa descansar por 30 minutos. Mexa e distribua nas forminhas, enchendo até quase a borda.
- Coloque as forminhas em uma assadeira e despeje água quente na assadeira até a metade da altura delas.
- Asse em banho-maria por 35 a 40 minutos, até o topo firmar e um palito sair limpo.
- Tire do forno, espere 15 minutos, passe uma faca na borda e desenforme ainda morno. Sirva frio ou em temperatura ambiente.

O que é quindim e de onde vem
Quindim é um doce pequeno, de textura parecida com um pudim firme, feito quase só de gemas e açúcar, com coco ralado. No forno, o coco sobe e forma uma camada mais firme; ao desenformar, ela vira a base e o topo fica liso e brilhante. É doce de padaria, de festa e de vitrine de confeitaria em todo o Brasil.
A família do quindim é portuguesa. Os conventos de Portugal criaram dezenas de doces de gemas, e a explicação mais contada é que as claras eram usadas para engomar roupas e clarificar vinho, e as gemas sobravam. O parente mais próximo do quindim é a brisa-do-lis, doce conventual de Leiria feito com gemas, açúcar e amêndoa. No Brasil, onde o coco era farto e a amêndoa cara, a amêndoa deu lugar ao coco ralado, e o doce ganhou identidade própria nas cozinhas dos engenhos, feitas em grande parte por mulheres africanas e afrodescendentes.
O nome é atribuído a línguas bantas, como o quimbundo de Angola, com o sentido de dengo, encanto ou meiguice. A etimologia não é documentada com segurança, mas o carinho do nome combina com o doce. Antigamente, dizia-se quindim de iaiá (iaiá era o tratamento dado às moças da casa-grande), expressão que virou samba de Ary Barroso, Os Quindins de Yayá, cantado por Aurora Miranda em um filme da Disney nos anos 1940. E Quindim é também o nome do rinoceronte do Sítio do Picapau Amarelo, de Monteiro Lobato.
Os ingredientes do quindim
Gemas. São a base de tudo e dão a cor amarela. Use ovos frescos e passe as gemas por uma peneira: ela segura a película que envolve a gema e é a principal causa do gosto de ovo no quindim. As claras que sobram podem virar suspiro ou merengue.
Açúcar. Refinado comum. Ele não só adoça: é o que dá o brilho e a textura firme. Diminuir muito o açúcar deixa o quindim opaco e com cara de omelete doce.
Coco ralado. O fresco, ralado fino, dá o melhor resultado. O seco, de pacote, sem açúcar, funciona; hidrate com o leite de coco por 10 minutos antes de usar.
Manteiga. Pouca, derretida, para dar sabor e maciez. Também é ela que, com açúcar, unta as forminhas.
Quindim sem leite de coco. O quindim mais tradicional nem leva leite de coco: só gemas, açúcar, coco e manteiga. O leite de coco entra em muitas receitas modernas para deixar o doce mais macio e perfumado, por isso está como opcional na ficha. Já sem coco nenhum, o doce vira um pudim de gemas: é o coco que faz o quindim.
Como fazer quindim: o porquê de cada etapa
Untar com manteiga e açúcar. As forminhas são untadas com manteiga e polvilhadas com açúcar. No forno, esse açúcar derrete e forma a camada brilhante do topo. Sem ele, o quindim gruda e sai fosco.
Misturar, não bater. Gemas e açúcar são misturados com colher ou batedor de mão, só até o açúcar se dissolver. Bater na batedeira coloca ar, e o ar vira bolhas e furinhos na superfície.
Descansar a massa. Trinta minutos de descanso antes de assentar nas forminhas deixam as bolhas subirem e o coco se acomodar. Mexa antes de distribuir, para que cada forminha leve coco.
Banho-maria em forno médio. O banho-maria, com água quente até a metade das forminhas, cozinha a gema devagar e por igual. Forno alto demais faz a gema talhar e o quindim ficar esponjoso. O ponto é quando o topo está firme e um palito sai limpo.
Desenformar morno. Espere uns 15 minutos fora do forno, passe uma faquinha na borda e vire. Morno, ele solta com mais facilidade; quente demais, quebra.
Quindim de liquidificador e quindão
De liquidificador. Funciona e é mais rápido: bata as gemas peneiradas, o açúcar, a manteiga e o leite de coco por poucos segundos, só para misturar, e junte o coco ralado com uma colher depois. Deixe descansar 30 minutos para as bolhas saírem. O coco não deve ir ao liquidificador, ou a camada de base não se forma.
Quindão (quindim na forma de pudim). A mesma massa vai para uma forma de pudim com furo central, de 20 a 22 cm, untada com manteiga e açúcar. Asse em banho-maria a 180 °C por 50 minutos a 1 hora, até firmar. Espere amornar bem antes de desenformar e leve à geladeira. Para quem gosta de doce de forma, o nosso vizinho pudim de leite segue o mesmo princípio do banho-maria.
Como servir e guardar
O quindim é servido frio ou em temperatura ambiente, na forminha de papel. Na geladeira, em pote fechado, dura até 4 dias. Não congele: a textura das gemas muda e o doce solta água ao descongelar. Para uma mesa de doces brasileiros, ele faz par com a cocada, outro doce de coco da tradição colonial, e com o brigadeiro. E quem gosta de doce de milho pode ir para a pamonha doce.


