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Receitas regionais do Brasil, do tacacá ao barreado, por Andre Raittz

Receitas

Acarajé: o que é, ingredientes e a receita baiana original

Publicado em 22 de setembro de 2021 · revisado em 15 de outubro de 2026

Acarajé é um bolinho de feijão-fradinho moído com cebola e sal, frito no azeite de dendê, símbolo da Bahia e de origem africana. É servido aberto ao meio e recheado com vatapá, caruru, camarão seco e vinagrete; no Candomblé, é oferenda aos orixás. O ofício das baianas de acarajé é patrimônio imaterial do Brasil, registrado pelo Iphan em 2005.

Acarajé

  • Rende: 12 porções
  • Preparo: 210 min
  • Cozimento: 20 min
  • Total: 230 min

Ingredientes

  • 1 kg de feijão-fradinho
  • 400 g de cebola branca
  • 1 cebola branca com casca (para fritar)
  • 1 litro de azeite de dendê (para fritar)
  • Sal a gosto

Modo de preparo

  1. Bata o feijão cru e seco no liquidificador só o suficiente para quebrar um pouco os grãos. Cubra com água até cerca de 5 dedos acima do feijão e deixe hidratar de 3 a 24 horas.
  2. Escorra, cubra de novo com água e mexa com as mãos para soltar as cascas. Repita quantas vezes for preciso.
  3. Descasque as cebolas (menos a que vai para a fritura) e corte em pedacinhos.
  4. No processador ou liquidificador, bata o feijão e a cebola aos poucos, acrescentando sal a gosto.
  5. Passe a massa para uma bacia e bata com colher de pau até ficar bem macia e no ponto de fritar.
  6. Em uma frigideira grande, aqueça o dendê com a cebola com casca. Modele os bolinhos com uma colher, em formato de concha, e frite, virando, até dourar de todos os lados.
  7. Para servir, corte ao meio e recheie com vatapá, caruru, camarão seco e vinagrete.

Alimento de alta carga cultural, a receita de acarajé se tornou um símbolo do patrimônio brasileiro, além de ser mundialmente conhecido. É mais do que um bolinho frito, é um símbolo baiano.

Ele tem importância de cunho religioso para o Candomblé, como sendo uma oferenda sagrada. O acarajé carrega história, cultura, fé e devoção, além de um sabor inigualável.

História da Receita de Acarajé

O acarajé chegou ao Brasil por meio dos escravos que vieram da África no século 18 em navios negreiros. E sua fama começou a se espalhar através do trabalho das chamadas escravas de ganho, que vendiam artesanato, acarajés, cocadas e outras coisas em tabuleiros.

Hoje em dia, as mulheres que produzem e vendem acarajé são conhecidas como as baianas, como as famosas baianas de Salvador. A receita sofreu algumas modificações ao longo dos anos.

É basicamente um bolinho feito de feijão fradinho, e geralmente é servido com vatapá, caruru, camarão e vinagrete.

Já o acarajé oferecido aos orixás é mais simples, não possui complementos como o vatapá e o camarão, e só pode ser preparado por filhos de santo.

O Acarajé

Tipo de Preparo: Aperitivo

Cozinha: Afro-brasileira

Rendimento: 12 porções

Tempo de Preparo: 3 horas e 30 minutos

Tempo de Cozimento: 20 minutos

Tempo Total: 3 horas e 50 minutos

Calorias: 272 kcal por porção

A Receita de Acarajé

Ingredientes

Modo de Preparo

Dicas

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Bolinhos de acarajé fritos e dourados num cesto de vime forrado com folha de bananeira
Receita de Acarajé (Foto: Comida e Bebida)

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Acarajé original: o que a receita tradicional leva

O acarajé original tem massa simples: feijão-fradinho descascado e moído, cebola e sal, batidos até a massa ficar aerada e fritos em colheradas no azeite de dendê bem quente. É exatamente o que faz a receita acima.

O nome vem do iorubá: àkàrà, o bolinho de feijão frito, mais jẹ, que significa comer. Na Bahia, o recheio tradicional é vatapá, caruru, camarão seco e salada de tomate com cebola. Quando a baiana pergunta se o acarajé é “quente” ou “frio”, está perguntando se vai pimenta.

O primo mais próximo é o abará: usa a mesma massa de feijão-fradinho, com dendê e camarão, mas é embrulhado em folha de bananeira e cozido no vapor, em vez de frito.

Acarajé tem gosto de quê?

O acarajé tem gosto de feijão-fradinho temperado com cebola, com o sabor e o perfume do azeite de dendê, que também dá a cor dourada e a casca crocante. Por dentro, a massa é macia e leve, quase fofa, porque é bem batida antes de fritar.

O recheio muda o conjunto: o vatapá traz cremosidade e leite de coco, o caruru traz o quiabo, o camarão seco dá o salgado e a pimenta, quando o acarajé é “quente”, dá o ardor. Quem nunca provou pode pensar num bolinho de feijão crocante, recheado com um creme de camarão.

Ingredientes do acarajé: a lista completa

A massa do acarajé leva só três ingredientes: feijão-fradinho, cebola e sal. O quarto é o azeite de dendê, que não entra na massa, mas é onde o bolinho frita e de onde vêm a cor e o sabor. Na receita acima, as quantidades são estas:

O recheio é preparado à parte: vatapá, caruru, camarão seco e vinagrete. Quem lista pão, leite de coco ou amendoim entre os ingredientes do acarajé está falando do vatapá, não da massa.

Como fritar acarajé e acertar o ponto da massa

O ponto da massa é o segredo do acarajé macio. Depois de passar o feijão e a cebola no processador, bata a massa com colher de pau por alguns minutos, com vigor: é isso que coloca ar dentro dela. No ponto certo, ela fica leve, clara e com aparência de espuma.

Massa mole quase sempre é excesso de água. Escorra muito bem o feijão depois de tirar as cascas e retire o máximo de casca que conseguir, porque casca deixa a massa pesada e menos lisa.

Para fritar:

  1. Use panela alta ou frigideira grande e funda, com dendê suficiente para cobrir os bolinhos.
  2. Coloque a cebola com casca no dendê: ela ajuda a segurar a temperatura e evita que o azeite queime. Quando começar a borbulhar em volta dela, o dendê está pronto.
  3. Modele cada bolinho com uma colher e frite poucos por vez, para a temperatura não cair.
  4. Vire até dourar por igual e escorra em papel-toalha.

Os primeiros costumam sair menos bonitos: é a panela acertando a temperatura.

Acarajé com vatapá: como montar

O acarajé baiano é servido aberto ao meio, ainda quente, como um sanduíche. A montagem segue esta ordem:

  1. Corte o bolinho no sentido do comprimento, sem separar as duas metades.
  2. Passe uma colherada de vatapá, o creme de pão, leite de coco, camarão seco e dendê.
  3. Junte o caruru, feito de quiabo com camarão seco e dendê.
  4. Cubra com camarão seco e vinagrete de tomate e cebola.
  5. Pimenta só se a pessoa pedir o acarajé “quente”.

Vatapá e caruru podem ser feitos na véspera e aquecidos na hora; o acarajé é que precisa sair da panela perto de servir, para manter a casca crocante. Para uma mesa baiana completa, o bobó de camarão usa os mesmos sabores de dendê e leite de coco, e a cocada é a sobremesa que divide o tabuleiro com o acarajé desde o tempo das escravas de ganho.

Pode congelar a massa de acarajé?

Pode. A massa crua de acarajé, já batida e temperada, aguenta até 6 meses no congelador, como diz a dica da receita acima. Guarde em pote bem fechado ou em saco próprio para congelar, de preferência em porções do tamanho que você vai fritar de cada vez.

O que muda é o ar: no congelamento, a massa perde parte da leveza que ganhou ao ser batida. Por isso, depois de descongelar, bata de novo com a colher de pau até ela voltar a ficar fofa, e só então frite. Congele a massa crua, não o bolinho já frito, que perde a casca crocante ao ser reaquecido.

Acarajé no candomblé: a oferenda a Iansã

No candomblé, o acarajé é a comida de Iansã, a orixá dos ventos e das tempestades, e também está ligado a Xangô. Nos terreiros, ele é oferenda: frito no dendê e servido sem recheio, sem vatapá nem camarão.

Por isso o ofício das baianas de acarajé é mais do que comércio de rua. Quando o Iphan inscreveu o ofício no Livro dos Saberes, em 2005, o registro protegeu não só a receita, mas o modo de fazer, a venda em tabuleiro e a ligação dessas comidas de dendê com o culto aos orixás. O acarajé vendido na rua, com recheio, é a versão que saiu do terreiro e ganhou a cidade.

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