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Receitas regionais do Brasil, do tacacá ao barreado, por Andre Raittz

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Canjica doce: a receita cremosa de milho branco com amendoim, e o que é canjica no Nordeste

Publicado em 8 de outubro de 2026

Canjica, no Sudeste, no Sul e no Centro-Oeste, é o doce junino de milho branco cozido em água e depois em leite, com leite condensado, amendoim torrado, coco e canela. No Nordeste esse mesmo doce se chama mungunzá, e canjica é o creme de milho verde que no Sudeste se chama curau.

Canjica cremosa com amendoim

  • Rende: 10 porções
  • Preparo: 10 min
  • Cozimento: 70 min
  • Total: 80 min

Ingredientes

  • 500 g de canjica branca (milho para canjica)
  • Água para demolhar e cozinhar
  • 1 litro de leite integral
  • 1 lata de leite condensado (395 g)
  • 200 ml de leite de coco
  • 1 xícara (chá) de amendoim torrado sem pele, moído grosseiramente
  • 1/2 xícara (chá) de açúcar (opcional, para quem gosta mais doce)
  • 2 paus de canela
  • 5 cravos-da-índia
  • 50 g de coco ralado (opcional)
  • Canela em pó para polvilhar

Modo de preparo

  1. Lave a canjica e deixe de molho em bastante água por 8 a 12 horas, de preferência na geladeira.
  2. Escorra, coloque na panela de pressão, cubra com água até 3 dedos acima dos grãos e cozinhe por 30 a 40 minutos depois de pegar pressão, até os grãos ficarem macios.
  3. Deixe a pressão sair, abra e descarte parte da água, deixando os grãos apenas cobertos.
  4. Junte o leite, a canela em pau e o cravo e leve ao fogo baixo, sem tampa, por 15 minutos, mexendo de vez em quando.
  5. Acrescente o leite condensado, o leite de coco, o amendoim, o coco ralado e o açúcar, se usar. Cozinhe por mais 10 a 15 minutos, mexendo, até o caldo engrossar levemente.
  6. Retire a canela e os cravos. Sirva quente ou fria, polvilhada com canela em pó.
Tigela de canjica branca com amendoim e caldo cremoso de leite
Foto: Melsj, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

O que é canjica

No Sudeste, no Sul e no Centro-Oeste, canjica é o doce de grãos de milho branco cozidos até ficarem macios e depois apurados em leite com açúcar, canela, cravo e, quase sempre, amendoim torrado e coco. O resultado é um creme ralo com os grãos inteiros, servido quente ou frio, em canecas ou tigelas. É a sobremesa mais esperada das festas juninas e julinas, ao lado do pé de moleque e do quentão.

O mesmo nome serve para o ingrediente: a canjica que se compra no mercado é o grão de milho seco, sem a pele e sem o gérmen, vendido em pacotes. Existem a canjica branca, de milho branco, e a canjica amarela, de milho amarelo, que dá um doce mais amarelado e de sabor mais acentuado de milho.

Canjica no Nordeste é outra coisa

Aqui está a confusão mais comum da cozinha junina brasileira. No Nordeste, o doce de milho branco que o paulista chama de canjica se chama mungunzá (ou munguzá), em geral feito com leite de coco e temperado com cravo e canela. Já a palavra canjica, no Nordeste, nomeia um creme de milho verde ralado, cozido com leite, leite de coco e açúcar até ficar firme, cortável, polvilhado de canela. Esse creme de milho verde é o que no Sudeste se chama curau.

Os dicionários registram as duas acepções, e o Atlas Linguístico do Brasil registrou nomes diferentes para esses doces conforme a região. Resumindo:

Em parte do Nordeste existe ainda o mungunzá salgado, cozido com feijão e carnes, que é outro prato.

De onde vem a canjica

O milho é planta americana e já era base da alimentação indígena muito antes da chegada dos portugueses, que o adotaram na colônia. O doce de milho cozido em leite e açúcar com canela e cravo é uma combinação de tradições: o grão indígena, o açúcar da cana, as especiarias do comércio português e, no Nordeste, o leite de coco. As festas juninas, trazidas pelos portugueses e celebradas no período da colheita do milho, fixaram a canjica no calendário.

Os ingredientes que fazem a canjica

Canjica branca. Escolha grãos inteiros e claros. A demolha de véspera reduz o tempo de cozimento e deixa os grãos mais macios por igual.

Leite e leite condensado. O leite integral dá o caldo. O leite condensado entra nas receitas atuais para deixar a canjica cremosa e doce sem precisar apurar por muito tempo. A receita antiga usava só leite e açúcar, cozidos por mais tempo.

Amendoim e coco. O amendoim torrado e moído grosseiramente engrossa o caldo e dá sabor; o coco ralado ou o leite de coco perfumam. Os dois são opcionais, mas fazem a canjica caipira.

Canela e cravo. A canela em pau e o cravo vão no cozimento; a canela em pó, por cima, na hora de servir.

O modo de preparo explicado

A canjica tem duas etapas. Na primeira, os grãos cozinham só em água até ficarem macios, mas inteiros. Na panela de pressão, isso leva de 30 a 40 minutos depois de pegar pressão, com os grãos demolhados. Na panela comum, conte 1 hora e meia a 2 horas, completando a água quando precisar.

Na segunda etapa, a água que sobrou é parcialmente descartada e entram o leite, os temperos e os adoçantes. A canjica ferve em fogo baixo, mexendo de vez em quando para não pegar no fundo, até o caldo engrossar. Ela engrossa mais ao esfriar, por isso é melhor desligar com o caldo um pouco mais ralo do que se quer servir.

Como fazer canjica sem deixar de molho

Dá para pular a demolha. Lave bem os grãos, cubra com bastante água e cozinhe na panela de pressão por 50 a 60 minutos. Deixe a pressão sair naturalmente, abra e confira: se algum grão estiver duro, cozinhe mais 10 minutos. O resultado é quase o mesmo; só alguns grãos podem ficar um pouco mais firmes.

Variações, como servir e guardar

A canjica cremosa leva creme de leite no final; a canjica com doce de leite troca o leite condensado por doce de leite. Há quem use só leite de coco, como no mungunzá. Sirva quente em dias frios ou gelada no verão, com canela por cima. Na geladeira, a canjica dura até 4 dias em pote fechado. Para reaquecer, junte um pouco de leite, porque ela engrossa bastante. Ela também congela por até 2 meses, embora os grãos fiquem um pouco mais moles.

Para completar a mesa junina, veja também o brigadeiro e, do lado salgado, o caruru, comida de festa na Bahia.

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