Receita de Pato no Tucupi: Iguaria Paraense
Publicado em 20 de setembro de 2021 · revisado em 8 de outubro de 2026

Pato no tucupi é o prato mais tradicional da culinária paraense: pato temperado de véspera na vinha d'alho, assado até dourar e servido no tucupi fervido com jambu. O tucupi é o caldo amarelo extraído da mandioca brava, e a origem do prato é indígena. Em Belém, é o almoço típico do Círio de Nazaré, com arroz branco e farinha de mandioca.
Pato no tucupi
Ingredientes
- 1 pato de 3 kg
- 3 litros de tucupi
- 5 maços de jambu
- 10 dentes de alho
- 2 cebolas
- 2 tomates
- 1 maço de chicória do Pará
- 2 limões
- 1 colher de manteiga
- 2 colheres de azeite
- 1 pitada de pimenta-do-reino
- Pimenta-de-cheiro
- Sal a gosto
- Vinha d'alho: 1 cebola média picada
- Vinha d'alho: 1 dente de alho
- Vinha d'alho: 2 copos de vinho branco seco
- Vinha d'alho: 2 folhas de louro
- Vinha d'alho: suco de 2 limões
- Vinha d'alho: 2 colheres (sopa) de vinagre aromático
- Vinha d'alho: 1 colher (sopa) de colorau
- Vinha d'alho: 1 colher (sopa) de molho inglês
- Vinha d'alho: 1 pimenta-do-reino bem picada
- Vinha d'alho: sal a gosto
Modo de preparo
- Prepare a vinha d'alho misturando todos os ingredientes dela.
- Limpe o pato e lave-o com algumas folhas de chicória e limão. Deixe-o de véspera na vinha d'alho, com alho, sal e pimenta-do-reino.
- Corte o pato em pedaços e refogue com cebola, alho e tomate bem picados, na manteiga com o azeite. Depois de refogado, asse no forno até dourar.
- Ferva o tucupi com sal, os dentes de alho inteiros apenas amassados e a chicória. Reserve. Se nunca fez tucupi em casa, use o pronto: a mandioca brava é tóxica se não for fervida pelo tempo certo.
- Lave bem o jambu, retire as flores (se houver), afervente em água e sal até amolecer, escorra e coloque no tucupi.
- Para o molho de pimenta, coloque um pouco do tucupi quente em uma molheira com a pimenta-de-cheiro levemente amassada.
- Quando o pato estiver macio e tostado, junte o pato ao tucupi com o jambu em uma panela e deixe levantar fervura.
- Sirva com farinha de mandioca paraense e arroz branco.
O pato no tucupi é um prato brasileiro, mais especificamente paraense, região Norte do país. O tucupi é um líquido de cor amarela extraído da raiz de mandioca brava. Esse prato fica excelente se acompanhado com arroz branco ou farinha de mandioca
Quer pular direto para a receita? Utilize o índice interativo abaixo:
Sobre o Pato no Tucupi
A origem do prato pato no tucupi é indígena. Esse fato é corroborado pela utilização milenar do tucupi pelas populações indígenas para a conservação de carne moqueada.
Sabia que o relativo isolamento da região Norte do país (devido à dificuldade crônica de acesso, consequência da sua geografia) permitiu que a cozinha paraense se mantivesse extraordinariamente próxima da sua origem e tradições originais?
Sabia que o pato no tucupi é considerado o prato mais tradicional da culinária paraense?
Sabia que existe uma lenda que conta a origem do tucupi? A lenda conta que Jacy (Lua) e Iassytatassú (Estrela d’Alva), marcaram um dia para visitar Ibiapité (Centro da Terra).
Em uma madrugada deixaram Ibacapuranga (Céu Bonito) e desceram para a terra. Descansaram no enorme disco da Iupê-jaçanã (Vitória-Régia) e se puseram a caminho para o centro da terra. Quando as duas se preparavam para descer o Ibibira (abismo), Caninana Tyba mordeu a face branca de Jacy que, sentindo a dor, derramou copiosas lágrimas amargas sobre uma extensa plantação de mandioca.
Depois disso, a face de Jacy nunca mais foi a mesma, uma vez que as mordidas da caninana, marcaram-na para sempre. Das lágrimas de Jacy surgiu o tycupy (tucupi).

Receita de Pato no Tucupi
- Tipo de Preparo: Prato Principal
- Cozinha: Brasileira (Paraense)
- Rendimento: 5 porções
- Tempo de Preparo: 30 minutos
- Tempo de Cozimento: 1 hora
- Tempo Total: 1 hora e 30 minutos
Ingredientes
- 1 pato de 3 kg
- 3 litros de tucupi
- 5 maços de jambu
- 10 dentes de alho
- 2 cebolas
- 1 maço de chicória do Pará
- sal a gosto
- 2 tomates
- 2 limões
- 1 pitada de pimenta do reino
- 1 colher de manteiga
- 2 colheres de azeite
- pimenta de cheiro
- 1 cebola média picada (para a vinha d’alho)
- 1 dente de alho (para a vinha d’alho)
- 2 copos de vinho branco seco (para a vinha d’alho)
- 2 folhas de louro (para a vinha d’alho)
- 2 limões (espremer direto sobre a carne) (para a vinha d’alho)
- 2 colheres (sopa) de vinagre aromático (para a vinha d’alho)
- 1 colher (sopa) de colorau (para a vinha d’alho)
- 1 colher (sopa) de molho inglês (para a vinha d’alho)
- 1 pimenta do reino bem picada (para a vinha d’alho)
- Sal a gosto (para a vinha d’alho)
Modo de Preparo
Pré-Preparo: Vinha d’Alho
Para preparar a vinha d’alho, basta misturar todos os ingredientes.
O Pato:
- Limpe o pato e o lave com algumas folhas de chicória e limão.
- Deixe-o de véspera na vinha d’alho com alho, sal e pimenta-do-reino.
- Corte-o em pedaços e refogue-o com cebola, alho, tomate bem picados, com a manteiga e o azeite.
- Depois de refogado, asse-o de forno até dourar.
O Tucupi:
Ferva o tucupi com sal, dentes de alhos inteiros apenas amassados e chicória. Reserve.
Não aconselhamos que você faça o tucupi em casa caso não tenha experiência. A mandioca tem propriedades tóxicas se não for fervida na temperatura certa e pelo tempo certo.
Então caso você nunca tenha feito isso antes, procure o Tucupi já pronto no mercado que é mais garantido.
O Jambu:
Esse ingrediente é fundamental para que a receita tenha um sabor verdadeiramente paraense.
- Lave bem o jambu;
- Retire as flores (se houver);
- Afervente em água e sal até amolecer;
- Escorra e coloque no tucupi.
Molho de Pimenta:
- Coloque um pouco do tucupi quente em uma molheira, acrescente a pimenta de cheiro levemente amassada.
Finalização do Pato no Tucupi
- Quando o pato estiver macio e tostado, junte o pato ao tucupi com o jambu em uma panela.
- Quando levantar fervura, estará pronto.
- Sirva com farinha de mandioca paraense e arroz branco.
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Veja também: 13 Tipos de Abóbora e como usar cada uma delas.
Pratos com tucupi
O tucupi é a base de boa parte da cozinha paraense. Os pratos mais conhecidos com ele:
- Pato no tucupi: o desta receita, prato de almoço e de festa, sobretudo no Círio de Nazaré.
- Tacacá: o caldo de tucupi com goma, jambu e camarão seco, servido na cuia no fim da tarde.
- Arroz paraense: arroz cozido com tucupi, jambu e camarão.
- Peixe com molho de tucupi: o filhote, peixe dos rios amazônicos, aparece grelhado com molho de tucupi nos restaurantes de Belém.
- Molho de pimenta no tucupi: tucupi quente com pimenta-de-cheiro, como o que acompanha este pato.
Em todos eles, use tucupi já cozido e comprado pronto: cru, ele contém ácido cianídrico e só fica seguro depois de fervido.
Pato no tucupi e tacacá: qual a diferença
Os dois levam tucupi e jambu, por isso tanta gente confunde e chega a buscar “pato no tacacá”. Mas são pratos diferentes:
- Pato no tucupi: prato principal. O pato é temperado de véspera, assado e servido mergulhado no tucupi com jambu, acompanhado de arroz branco e farinha de mandioca.
- Tacacá: lanche de fim de tarde. É um caldo tomado na cuia, com goma de mandioca e camarão seco, sem carne de pato.
Em resumo: o pato no tucupi é refeição de mesa, o tacacá se toma na rua, em pé, na barraca da tacacazeira.
Ingredientes do pato no tucupi: o que é cada um
A lista da receita tem poucos ingredientes que só existem no Norte. O que é cada um, e o que fazer fora do Pará:
| Ingrediente | O que é | Fora do Norte |
|---|---|---|
| Pato | O pato-do-mato (Cairina moschata) é nativo das Américas e foi domesticado pelos indígenas antes da chegada dos europeus | Pato inteiro congelado de supermercado; o caipira tem sabor mais forte e pede mais tempo de cozimento |
| Tucupi | Caldo amarelo e ácido da mandioca brava, fermentado e fervido | Não tem substituto: compre em garrafa ou congelado, em empórios de produtos do Norte ou pela internet |
| Jambu | Erva amazônica cujo espilantol, segundo a Embrapa, dá o sabor picante e a sensação de boca formigando e dormente | Jambu congelado ou em conserva |
| Chicória-do-pará | Erva de folha serrilhada (Eryngium foetidum), chamada de coentrão no Sudeste, usada para temperar pato e tucupi | Coentro, em pouca quantidade |
| Pimenta-de-cheiro | Pimenta aromática e pouco ardida | Pimenta-biquinho ou dedo-de-moça sem semente |
| Farinha d’água | Farinha de mandioca fermentada, de grão grosso, típica do Pará | Farinha de mandioca torrada |
Os mesmos ingredientes do Norte aparecem no tacacá e no vatapá paraense.
Como é feito o tucupi
O tucupi nasce do mesmo processo que dá a farinha e a goma de mandioca. Pelo que descrevem as publicações da Embrapa:
- A mandioca brava é descascada, ralada e prensada, tradicionalmente no tipiti, o cesto de palha trançada. O líquido que escorre é a manipueira.
- A manipueira descansa de um a dois dias. O amido (a goma) se deposita no fundo e é separado, e o líquido fermenta naturalmente.
- O caldo é fervido com alho, alfavaca, chicória e sal. A fervura é o que elimina o ácido cianídrico da mandioca brava, que torna o líquido cru venenoso.
A goma separada no caminho vira tapioca e a goma do tacacá. Como a maior parte do tucupi ainda é feita de forma artesanal, sem padrão, a Embrapa recomenda atenção à origem. Por isso, em casa, use tucupi pronto de produtor conhecido e ferva de novo antes de usar, como manda a receita acima.
Como deixar o pato macio: o modo tradicional
O erro mais comum é servir o pato duro. No modo tradicional paraense, o pato passa por quatro etapas:
- Marinada: de véspera, na vinha d’alho, ou pelo menos 12 horas na geladeira.
- Amaciar: refogado e cozido na panela, ou assado coberto com papel-alumínio, até a carne ceder.
- Dourar: alguns minutos de forno sem cobertura, só para a pele tostar. Depois de uns 50 minutos de forno, vale olhar sempre: passado do ponto, o pato resseca.
- Cozinhar no tucupi: os pedaços voltam para o tucupi fervente, em fogo baixo e panela tampada, por cerca de 1 hora a 1 hora e meia, até ficarem macios. Se o caldo reduzir demais, junte água.
O jambu entra só no fim, por poucos minutos, para não escurecer nem perder o formigamento. Pato caipira, de carne mais firme, fica no tempo maior. Na receita acima, se o pato sair do forno ainda firme, deixe-o mais tempo no tucupi antes de servir.
Pato no tucupi no Círio de Nazaré, e como guardar
O pato no tucupi é o almoço do Círio de Nazaré, a procissão de Belém que acontece no segundo domingo de outubro desde 1901; em 2026, cai no dia 11. Nesse domingo, quase toda casa de Belém põe na mesa pato no tucupi e maniçoba. O Círio é patrimônio cultural do Brasil desde 2004, pelo Iphan, e patrimônio imaterial da humanidade desde 2013, pela Unesco.
O próprio prato também é protegido: a Lei estadual 7.549, de 2011, declarou o pato no tucupi patrimônio cultural imaterial do Pará, junto com a maniçoba, o caruru, o tacacá, o vatapá e o chibé. Ele também é comido no Amazonas e no Amapá, mas é no Pará que virou símbolo.
Como o almoço do Círio costuma ser grande e feito de véspera:
- Geladeira: o pato no tucupi pronto dura de 3 a 4 dias em pote fechado, o prazo que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indica para cozidos com carne.
- Freezer: 2 a 3 meses. O tucupi congela bem, e é assim que costuma ser vendido fora do Norte.
- Reaquecer: no fogo, até ferver, e só então junte jambu fresco.
Quem gosta de caldo quente e apimentado da região também pode experimentar o caldo de piranha.


