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Receitas regionais do Brasil, do tacacá ao barreado, por Andre Raittz

Receitas

Receita de Pato no Tucupi: Iguaria Paraense

Publicado em 20 de setembro de 2021 · revisado em 8 de outubro de 2026

Pato no tucupi em tigela azul, com coxa de pato, folhas de jambu e pimentas vermelhas

Pato no tucupi é o prato mais tradicional da culinária paraense: pato temperado de véspera na vinha d'alho, assado até dourar e servido no tucupi fervido com jambu. O tucupi é o caldo amarelo extraído da mandioca brava, e a origem do prato é indígena. Em Belém, é o almoço típico do Círio de Nazaré, com arroz branco e farinha de mandioca.

Pato no tucupi

  • Rende: 5 porções
  • Preparo: 30 min
  • Cozimento: 60 min
  • Total: 90 min

Ingredientes

  • 1 pato de 3 kg
  • 3 litros de tucupi
  • 5 maços de jambu
  • 10 dentes de alho
  • 2 cebolas
  • 2 tomates
  • 1 maço de chicória do Pará
  • 2 limões
  • 1 colher de manteiga
  • 2 colheres de azeite
  • 1 pitada de pimenta-do-reino
  • Pimenta-de-cheiro
  • Sal a gosto
  • Vinha d'alho: 1 cebola média picada
  • Vinha d'alho: 1 dente de alho
  • Vinha d'alho: 2 copos de vinho branco seco
  • Vinha d'alho: 2 folhas de louro
  • Vinha d'alho: suco de 2 limões
  • Vinha d'alho: 2 colheres (sopa) de vinagre aromático
  • Vinha d'alho: 1 colher (sopa) de colorau
  • Vinha d'alho: 1 colher (sopa) de molho inglês
  • Vinha d'alho: 1 pimenta-do-reino bem picada
  • Vinha d'alho: sal a gosto

Modo de preparo

  1. Prepare a vinha d'alho misturando todos os ingredientes dela.
  2. Limpe o pato e lave-o com algumas folhas de chicória e limão. Deixe-o de véspera na vinha d'alho, com alho, sal e pimenta-do-reino.
  3. Corte o pato em pedaços e refogue com cebola, alho e tomate bem picados, na manteiga com o azeite. Depois de refogado, asse no forno até dourar.
  4. Ferva o tucupi com sal, os dentes de alho inteiros apenas amassados e a chicória. Reserve. Se nunca fez tucupi em casa, use o pronto: a mandioca brava é tóxica se não for fervida pelo tempo certo.
  5. Lave bem o jambu, retire as flores (se houver), afervente em água e sal até amolecer, escorra e coloque no tucupi.
  6. Para o molho de pimenta, coloque um pouco do tucupi quente em uma molheira com a pimenta-de-cheiro levemente amassada.
  7. Quando o pato estiver macio e tostado, junte o pato ao tucupi com o jambu em uma panela e deixe levantar fervura.
  8. Sirva com farinha de mandioca paraense e arroz branco.

O pato no tucupi é um prato brasileiro, mais especificamente paraense, região Norte do país. O tucupi é um líquido de cor amarela extraído da raiz de mandioca brava. Esse prato fica excelente se acompanhado com arroz branco ou farinha de mandioca

Quer pular direto para a receita? Utilize o índice interativo abaixo:

Sobre o Pato no Tucupi

A origem do prato pato no tucupi é indígena. Esse fato é corroborado pela utilização milenar do tucupi pelas populações indígenas para a conservação de carne moqueada.

Sabia que o relativo isolamento da região Norte do país (devido à dificuldade crônica de acesso, consequência da sua geografia) permitiu que a cozinha paraense se mantivesse extraordinariamente próxima da sua origem e tradições originais?

Sabia que o pato no tucupi é considerado o prato mais tradicional da culinária paraense?

Sabia que existe uma lenda que conta a origem do tucupi? A lenda conta que Jacy (Lua) e Iassytatassú (Estrela d’Alva), marcaram um dia para visitar Ibiapité (Centro da Terra).

Em uma madrugada deixaram Ibacapuranga (Céu Bonito) e desceram para a terra. Descansaram no enorme disco da Iupê-jaçanã (Vitória-Régia) e se puseram a caminho para o centro da terra. Quando as duas se preparavam para descer o Ibibira (abismo), Caninana Tyba mordeu a face branca de Jacy que, sentindo a dor, derramou copiosas lágrimas amargas sobre uma extensa plantação de mandioca.

Depois disso, a face de Jacy nunca mais foi a mesma, uma vez que as mordidas da caninana, marcaram-na para sempre. Das lágrimas de Jacy surgiu o tycupy (tucupi).

receita de pato no tucupi
Pato no Tucupi

Receita de Pato no Tucupi

Ingredientes

Modo de Preparo

Pré-Preparo: Vinha d’Alho

Para preparar a vinha d’alho, basta misturar todos os ingredientes.

O Pato:

  1. Limpe o pato e o lave com algumas folhas de chicória e limão.
  2. Deixe-o de véspera na vinha d’alho com alho, sal e pimenta-do-reino.
  3. Corte-o em pedaços e refogue-o com cebola, alho, tomate bem picados, com a manteiga e o azeite.
  4. Depois de refogado, asse-o de forno até dourar.

O Tucupi:

Ferva o tucupi com sal, dentes de alhos inteiros apenas amassados e chicória. Reserve.

Não aconselhamos que você faça o tucupi em casa caso não tenha experiência. A mandioca tem propriedades tóxicas se não for fervida na temperatura certa e pelo tempo certo.

Então caso você nunca tenha feito isso antes, procure o Tucupi já pronto no mercado que é mais garantido.

O Jambu:

Esse ingrediente é fundamental para que a receita tenha um sabor verdadeiramente paraense.

  1. Lave bem o jambu;
  2. Retire as flores (se houver);
  3. Afervente em água e sal até amolecer;
  4. Escorra e coloque no tucupi.

Molho de Pimenta:

  1. Coloque um pouco do tucupi quente em uma molheira, acrescente a pimenta de cheiro levemente amassada.

Finalização do Pato no Tucupi

  1. Quando o pato estiver macio e tostado, junte o pato ao tucupi com o jambu em uma panela.
  2. Quando levantar fervura, estará pronto.
  3. Sirva com farinha de mandioca paraense e arroz branco.

Quer mais receitas incríveis como essa? Clique aqui.

Veja também: 13 Tipos de Abóbora e como usar cada uma delas.

Pratos com tucupi

O tucupi é a base de boa parte da cozinha paraense. Os pratos mais conhecidos com ele:

Em todos eles, use tucupi já cozido e comprado pronto: cru, ele contém ácido cianídrico e só fica seguro depois de fervido.

Pato no tucupi e tacacá: qual a diferença

Os dois levam tucupi e jambu, por isso tanta gente confunde e chega a buscar “pato no tacacá”. Mas são pratos diferentes:

Em resumo: o pato no tucupi é refeição de mesa, o tacacá se toma na rua, em pé, na barraca da tacacazeira.

Ingredientes do pato no tucupi: o que é cada um

A lista da receita tem poucos ingredientes que só existem no Norte. O que é cada um, e o que fazer fora do Pará:

IngredienteO que éFora do Norte
PatoO pato-do-mato (Cairina moschata) é nativo das Américas e foi domesticado pelos indígenas antes da chegada dos europeusPato inteiro congelado de supermercado; o caipira tem sabor mais forte e pede mais tempo de cozimento
TucupiCaldo amarelo e ácido da mandioca brava, fermentado e fervidoNão tem substituto: compre em garrafa ou congelado, em empórios de produtos do Norte ou pela internet
JambuErva amazônica cujo espilantol, segundo a Embrapa, dá o sabor picante e a sensação de boca formigando e dormenteJambu congelado ou em conserva
Chicória-do-paráErva de folha serrilhada (Eryngium foetidum), chamada de coentrão no Sudeste, usada para temperar pato e tucupiCoentro, em pouca quantidade
Pimenta-de-cheiroPimenta aromática e pouco ardidaPimenta-biquinho ou dedo-de-moça sem semente
Farinha d’águaFarinha de mandioca fermentada, de grão grosso, típica do ParáFarinha de mandioca torrada

Os mesmos ingredientes do Norte aparecem no tacacá e no vatapá paraense.

Como é feito o tucupi

O tucupi nasce do mesmo processo que dá a farinha e a goma de mandioca. Pelo que descrevem as publicações da Embrapa:

  1. A mandioca brava é descascada, ralada e prensada, tradicionalmente no tipiti, o cesto de palha trançada. O líquido que escorre é a manipueira.
  2. A manipueira descansa de um a dois dias. O amido (a goma) se deposita no fundo e é separado, e o líquido fermenta naturalmente.
  3. O caldo é fervido com alho, alfavaca, chicória e sal. A fervura é o que elimina o ácido cianídrico da mandioca brava, que torna o líquido cru venenoso.

A goma separada no caminho vira tapioca e a goma do tacacá. Como a maior parte do tucupi ainda é feita de forma artesanal, sem padrão, a Embrapa recomenda atenção à origem. Por isso, em casa, use tucupi pronto de produtor conhecido e ferva de novo antes de usar, como manda a receita acima.

Como deixar o pato macio: o modo tradicional

O erro mais comum é servir o pato duro. No modo tradicional paraense, o pato passa por quatro etapas:

  1. Marinada: de véspera, na vinha d’alho, ou pelo menos 12 horas na geladeira.
  2. Amaciar: refogado e cozido na panela, ou assado coberto com papel-alumínio, até a carne ceder.
  3. Dourar: alguns minutos de forno sem cobertura, só para a pele tostar. Depois de uns 50 minutos de forno, vale olhar sempre: passado do ponto, o pato resseca.
  4. Cozinhar no tucupi: os pedaços voltam para o tucupi fervente, em fogo baixo e panela tampada, por cerca de 1 hora a 1 hora e meia, até ficarem macios. Se o caldo reduzir demais, junte água.

O jambu entra só no fim, por poucos minutos, para não escurecer nem perder o formigamento. Pato caipira, de carne mais firme, fica no tempo maior. Na receita acima, se o pato sair do forno ainda firme, deixe-o mais tempo no tucupi antes de servir.

Pato no tucupi no Círio de Nazaré, e como guardar

O pato no tucupi é o almoço do Círio de Nazaré, a procissão de Belém que acontece no segundo domingo de outubro desde 1901; em 2026, cai no dia 11. Nesse domingo, quase toda casa de Belém põe na mesa pato no tucupi e maniçoba. O Círio é patrimônio cultural do Brasil desde 2004, pelo Iphan, e patrimônio imaterial da humanidade desde 2013, pela Unesco.

O próprio prato também é protegido: a Lei estadual 7.549, de 2011, declarou o pato no tucupi patrimônio cultural imaterial do Pará, junto com a maniçoba, o caruru, o tacacá, o vatapá e o chibé. Ele também é comido no Amazonas e no Amapá, mas é no Pará que virou símbolo.

Como o almoço do Círio costuma ser grande e feito de véspera:

Quem gosta de caldo quente e apimentado da região também pode experimentar o caldo de piranha.

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